Artigo do acadêmico Paulo Castelo Branco, publicado ontem, 5.1.2021, no Diário do Poder

  O PRESIDENTE É O VÍRUS
                                                                                                                                 Paulo Castelo Branco
Desde o descobrimento do Brasil que personagens pitorescas pisaram em nosso solo. Os nativos, ao se depararem com os invasores, ficaram boquiabertos com os que chegaram com vestimentas estranhas, sujos, barbudos que se intitularam de proprietários da nova terra.
Os desbravadores de mares, que nem sabiam onde estavam, amedrontados com as criaturas nuas e armadas de porretes, arco e flechas, se prepararam para enfrentá-los com suas armas de fogo e espadas.
Os nativos estavam mais curiosos do que agressivos. Os penetras, observando a calmaria, ofereceram espelhos e quinquilharias em busca de entendimento. Os daqui, com jeito carioca, logo se comunicaram com gestos amistosos e os outros, acostumados a longas viagens quase sem rumo, foram ficando e explorando nossas riquezas sem reação. Os conflitos territoriais na Europa e a submissão dos reinos ao poderio estratégico e militar de Napoleão Bonaparte obrigaram o monarca português a fugir para além-mar.
Novamente os nativos acharam engraçados os costumes dos novos donos, mas, como de hábito, se calaram. Um dia, o imperador da hora decidiu gritar a nossa independência de forma igualmente pitoresca. E, assim, chegamos aos dias de hoje, e a maioria do povo escolheu para nos governar outro governante pitoresco.
No caso atual, o presidente, além de engraçado, tem comido o pão que ele próprio amassou.
Não há dia em que o vírus nele instalado não apresente efeitos colaterais, deixando os brasileiros, tal qual os índios citados no início, boquiabertos.
Cientistas do mundo inteiro, ao pesquisar o novo coronavírus, encontraram uma estranha mutação idêntica ao DNA do presidente que vazou em uma das muitas ocasiões em que se submeteu a cirurgias. Segundo alguns estudiosos do comportamento humano e especializados em acompanhamento da saúde de ex-governantes no mundo afora, o nosso atual timoneiro, sem prática em mares revoltos, sofre do próprio vírus e nos levará ao naufrágio.
As confusões provocadas pelo cara encontram seguidores que foram infectados logo após a tal da facada que, misteriosamente, teve o agressor diagnosticado como louco, e, o agredido, sem nenhum exame de sanidade mental.
O resultado é o que temos visto diariamente, e poucos se preocupam com o destino do País. É fato que muitos avanços foram obtidos ao longo do mandato; auxiliares competentes carregam o peso da governança, sempre com o cuidado de não aparecer demais e serem defenestrados do governo. Alguns que exerceram funções de destaque, antes de saírem, foram humilhados e destratados pelo chefe. Mas esses casos se transformaram em folclore.
Todas as diatribes do presidente democraticamente eleito podem ser consideradas como insanidade, mas, por trás desses fatos, há alguns imperdoáveis como a homofobia, o culto à tortura e a torturadores, o desprezo e desrespeito com as minorias, especialmente as mulheres.
Parece que o presidente provoca celeumas para encobrir os desmandos de seus filhos e que poderão atingi-lo, pois também exerceu mandato na famosa “Gaiola de Ouro” que abriu caminho para a “rachadinha” que, hoje, está institucionalizada em nossa política.
Há, porém, uma insistência bolsonariana que merece ser observada pela população e nossos representantes no Congresso Nacional. Ao longo do mandato, o presidente tem forçado a barra para liberar o uso de armamentos, com a alegação de que “povo armado nunca será dominado”. Essa fala, no fundo, pode ser a formação de milícia do governo com poderes ilimitados e sem julgamento. Bolsonaro, com suas medidas incentivadoras de violência e protetivas de policiais, dá a impressão de que todos os que cometeram crimes serão anistiados; não é verdade, o processo só será concluído depois examinado criteriosamente pelo Poder Judiciário.
Bolsonaro, invés de pregar a paz, reconhecer o trabalho dos cientistas e conciliar a nação, parte para o tudo ou nada, sendo que o tudo é a ditadura tão admirada por ele.

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